Vida e Obra de Mário Seguso será destaque no Chalé Cristiano Osório

O Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas abriu no dia 26 de junho, duas novas exposições: Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil - 1825-1826 e Vida e obra de Mario Seguso (foto) que faz parte do ciclo de exposições O Artista e a Cidade. Com entrada gratuita, ambas podem ser visitadas até 26 de setembro.
CHARLES LANDSEER - Trata-se da maior exposição individual das imagens feitas por Charles Landseer como artista oficial da missão diplomática britânica - que tinha o objetivo de negociar o reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do recém-independente Império do Brasil. Com curadoria de Leslie Bethell, professor emérito de história latinoamericana na Universidade de Londres, a exposição reúne 157 obras.
O trabalho de Landseer compreende desenhos e aquarelas feitos durante os três meses em que passou em Portugal; no Rio de Janeiro, ali permanecendo por cinco meses, além de registros de paisagens e moradores de cidades litorâneas como Rio de Janeiro, Recife e Olinda, Salvador, Vitória, Desterro (Florianópolis) e Santos, assim como São Paulo. Por fim, na viagem de regresso à Inglaterra, fez ainda vários desenhos dos Açores e de sua população.
VIDA E OBRA DE MARIO SEGUSO - A exposição que o IMS apresenta no Chalé Cristiano Osório reúne uma série de peças da produção de Mario Seguso desde os anos 1960, num lavoro diário de criação, dedicação e persistência que tanto tem divulgado o nome de Poços de Caldas pela arte do vidro.
Mario Seguso nasceu em 1929, na ilha de Murano, em Veneza, Itália, numa tradicional família de vidreiros, cujas origens remontam ao século XIII. Cresceu entre Veneza e Murano, em grande intimidade com a arte veneziana e o universo da produção de vidro de sua ilha natal.
Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), frequentou o Regio Istituto d´Arte, onde estudou desenho e gravação em vidro. Ainda em Murano, trabalhou como gravador na renomada firma de cristais Salir. Assim que as condições do "pós-guerra" melhoraram, estabeleceu um atelier próprio de gravação, logo sendo reconhecido pela qualidade de seu trabalho nessa área.
Em 1954, Mario Seguso aceitou o convite da Cristais Prado, então estabelecida no Brasil, para vir a São Paulo executar uma série de gravações em objetos de vidro para as comemorações do quarto centenário da cidade. Durante os dois anos de seu contrato com a empresa, teve a oportunidade de vivenciar a metrópole em sua fase de intenso desenvolvimento. Também nesses anos, viajou com um amigo para a Amazônia, com o firme propósito, porém frustrado, de garimpar diamantes. Muito o impressionou, no entanto, a riqueza da fauna e da flora locais, temas que se tornaram recorrentes em toda sua obra futura.
De volta a São Paulo, decidiu que esta seria sua pátria, onde vislumbrou uma liberdade que acreditava ser imprescindível à sua criação. Aqui permaneceu como gravador. A necessidade de produzir um vidro de melhor qualidade, que se assemelhasse às características do vidro de Murano, no entanto, trouxe-o a Poços, em 1959, quando criou a Cristais Cá d´Oro em sociedade com o cunhado e outro sócio, e onde permanece até hoje, como mestre vidreiro.