Hino Nacional Brasileiro – um desafio –
mas precisa ser mudado
O nosso hino nacional é, sem sombra de dúvida, um dos mais bonitos entre os que conheço. No entanto a sua letra, com a demasiada utilização da inversão das frases no velho estilo camoniano, com vocábulos desconhecidos pela maioria dos brasileiros, e a grande quantidade de versos, torna-o um dos mais difíceis para serem aprendidos e, consequentemente, cantados.
Alguns professores de literatura – e nessa eu me incluo – apontam as semelhanças da letra, a estrutura poética e a métrica decassílaba com “Os Lusíadas”, principal obra de Luís de Camões.
Há uma grande quantidade de pessoas – e até artistas cantores – que encontram dificuldades em interpretá-lo. Isso sem contar com os nossos “jogadores da Seleção” que, na solenidade de abertura dos jogos futebolísticos, costumam unicamente movimentar os lábios, já que são focalizados pelas possantes lentes da Tv, para dar a impressão que estão cantando.
O último “desvio de memória” aconteceu recentemente com a cantora Vanusa que, contratada para cantá-lo na abertura de uma solenidade na Assembléia Legislativa paulista, conseguiu fazer um estrago danado na sua interpretação já que, segundo ela, no momento estava psicológica e fisicamente doente.
Não quero com isso isentá-la. Quem assume uma responsabilidade – e com certeza deve ter sido remunerada para tal – tem que estar preparada.
Já assisti à vários programas de televisão que mostraram que os brasileiros não sabem cantar o seu hino. Ele é difícil para um adulto. Imagine então para uma criança! A letra não condiz com o Brasil que vivemos.
Vale lembrar que em 1906 – portanto, há mais de 100 anos – foi realizado um concurso para a escolha da melhor letra que se adaptasse à música do hino, e o vencedor foi a de Joaquim Osório Duque Estrada, sendo oficializada em 1922, e que permanece até hoje.
Apesar da beleza quase inquestionável de nosso hino, é evidente que o Brasil é outro. Acredito que seja esse o momento de se iniciar um debate profundo, com o objetivo de se adaptar a letra aos dias atuais. Nestes 103 anos, muita coisa mudou neste país! E muito!
Desgraça pouca é bobagem !
Está tramitando na Câmara o Projeto de Lei Complementar 492/09, que permite a publicação, na internet, de texto, som e imagem relacionados a programas de ação e propaganda eleitoral sob a responsabilidade de candidato ou titular de mandato eletivo. Pelo projeto, esse tipo de divulgação não será considerado crime eleitoral nem conduta passível de inelegibilidade. A proposta, que tramita em regime de prioridade, será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.
Vergonha nacional
Aproveitando o assunto “propaganda política”, será que os candidatos não se envergonham de aparecer no horário nobre da televisão, por várias vezes seguido, falando e prometendo coisas que eles nunca fizeram e jamais farão?
Dia destes assistí, estupefato, meu colega ex-jornalista Tilden Santiago, que já foi até embaixador de Cuba na primeira gestão do presidente Lula, falando das propostas de seu “novo partido”. Não dá para acreditar que tenhamos que ver, diariamente, faltando ainda muitos meses para as eleições, bobagens como essa. Não dá para acreditar!!!