O “glamour” de uma viagem aérea
não mais existe

Por Odair Camillo

Como viajante contumaz, condição do próprio ofício, com mais de cinco passaportes devidamente carimbados em aeroportos de cinquenta países dos cinco continentes, às vezes chego a lamentar do que ocorre hoje numa viagem doméstica, como também na internacional.

Sou ainda dos tempos em que o homem usava terno, paletó e gravata, e as mulheres adornadas com belos vestidos e muitas jóias, se preparavam para embarcar para uma viagem de lazer, ou mesmo de negócios, a bordo de empresas aéreas tradicionais, como as saudosas Pan-American, Panair do Brasil e a própria Varig, que sempre foi um orgulho dos brasileiros, presente nas principais capitais do mundo.

O serviço de bordo era impecável. Alimentação servida em pratos de porcelana, taças de vinhos de várias regiões e safras, uísques e champanhas importadas... Mesmo na classe turística, o viajante era tratado muito bem. Após 9 ou 10 horas de viagem, chegava-se ao destino “cheirando-se” bem, sem a inconveniência de ter a seu lado, nos dias atuais, um mochileiro trajando uma bermuda, uma regata e um tênis encardido, exalando seu mau cheiro por toda a área.

Os tempos passaram. Ainda tive a oportunidade de conhecer o saudoso Rolin Amaro, à frente de sua TAM, recebendo e cumprimentando seus passageiros que chegavam até a porta do avião, caminhando sobre um tapete vermelho.

Sinceramente, viajar de avião era um luxo!

 

 

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