Entrevista com Aníbal Camillo Togni

Cerâmica Togni – mais de um século participando do progresso
de Poços de Caldas

O grupo, que começou como uma simples olaria, hoje emprega
mais de mil funcionários

No dia 02 deste mês, a Câmara Municipal de Poços de Caldas, através do vereador Joaquim Alves, homenageou a família Togni em sessão solene, em comemoração ao Centenário da empresa Cerâmica Togni, hoje transformada no Grupo Togni, uma das maiores e mais antigas indústrias implantadas no começo do século passado em Poços de Caldas.

Brand-News esteve com seu Diretor-Presidente, Aníbal Camillo Togni em seu escritório na Avenida Antonio Togni, e com Teresa Cristina, sua filha e também diretora, quando teve a oportunidade de assistir a um vídeo institucional mostrando a evolução da empresa nestes cento e um anos de existência.
Tudo começou em 1910 com o imigrante italiano Antônio Togni, que antes de fabricar tijolos e telhas de argila numa área adquirida por ele no bairro Ponte Preta, “Antônio Padeiro” - carinhoso cognome com que era conhecido - iniciou sua vida como lavrador, comerciante e produtor de vinho.

A pequena olaria prosperava, mas antes de completar 60 anos, em 1937, o fundador dessa que se tornaria uma grande empresa, faleceu, e suas propriedades passaram para sua esposa Ersília e seus onze filhos. Alguns parentes de Antônio Togni também possuíam na época. parte da sociedade da olaria, que acabou sendo comprada, em 1948, por Aníbal, tornando-se sócio de seu irmão Eliseu Ângelo Togni, cuja razão social passou a ser “Togni & Irmão”.
Ao final de 1952, a empresa já inaugurava o Forno Hoffmann, que resultou num aumento expressivo na produção.
O início da produção de refratários deu-se em 1954, ano em que a Togni começou o aproveitamento pioneiro das argilas refratárias do Planalto.
Com o falecimento do irmão Eliseu, dois de seus herdeiros – Fábio Eduardo Togni e Lívio Valério Togni – assumiram a vice-presidência administrativa e vice-presidência operacional, respectivamente, permanecendo na presidência Aníbal Camillo Togni.

Atualmente a empresa possui duas fábricas totalmente integradas em Poços de Caldas e uma terceira unidade em Sacramento, no Triângulo Mineiro.. Importantes reservas e empresas de mineração próprias garantem o abastecimento das matérias primas estratégicas. Com 101 anos de existência, emprega cerca de 650 funcionários e compõe um grupo de empresas na área de mineração, rochas ornamentais e louça sanitária – E.T.-Gran, Togni Mineração e Sanitex. Somente em Poços de Caldas o grupo emprega mais de 1.000 pessoas.

Para conhecer mais sobre essa indústria pioneira, Aníbal concedeu a seguinte entrevista:

BN – De onde vem a matéria prima para a produção de refratários?

- A matéria prima que motivou a cerâmica a produzir refratários é daqui mesmo. Tínhamos aqui uma jazida, porém, para ampliar nossos trabalhos, partimos para uma área, conhecida como areião. Atualmente, no planalto de Poços de Caldas temos uma produção de argila, que representa cerca de 70% e o restante vem de Sacramento – MG, na região de Araxá, em forma de chamote. Trabalhamos também com outros materiais, como o silício e a alumina, Agora, ainda em fase de pesquisa, temos no estado da Bahia cerca de 7 mil hectares de área com magnesita, que é muito importante no setor de refratários, principalmente na indústria de aços.

BN – Os refratários continuam a ser exportados?
- Apesar das dificuldades com a elevação do valor do real perante o dólar, a empresa continua exportando. Ainda este mês, nossa equipe técnica esteve em Porto Rico, onde temos alguns clientes que utilizam nossos refratários. Temos também exportado para a Argentina – que são clientes bem antigos – e para diversos outros países. Nossa exportação atualmente representa de 10% a 15% em relação ao mercado interno. O mercado é muito competitivo porque não só a Europa e os Estados Unidos, que são grandes consumidores de refratários por causa do consumo de aço, já são auto-suficientes.


BN – Para os altos fornos, é utilizado esse tipo de refratário produzido aqui, ou há outras alternativas ?

- Quando vc fala em altos fornos, entende-se que são os fornos que transformam o minério de ferro em ferro gusa. Todos os tipos de refratários para eles são produzidos por nós. Mas quando se fala em fornos, em geral, fornos para siderurgias, de laminação, refinação, tudo isso faz parte do elenco de consumidores de refratários. Outro setor que estamos muito ajustados com ele, é o de vidros, onde temos uma participação muito grande. Os blocos são feitos sob encomenda, com materiais especiais e temos uma área própria onde as peças passam por uma retífica para ficarem no dimensionamento exato exigido por nossos clientes.

BN – A indústria de refratários segue uma evolução natural, ou ela é dinâmica?

- Ela passa sempre por inovações. Ainda agora estamos retornando de um congresso em Kyoto, no Japão. Fomos em oito pessoas. Participei do congresso com minha equipe e acompanhei os trabalhos e o que aprendemos lá já estamos aplicando na fábrica. Levei minha esposa Teresa, minhas duas filhas, Teresa Cristina e Emerci, o Eduardo, o Celso Amoedo, o Lívio e o Fábio. Assistimos cerca de 50 trabalhos ao todo.

BN – Como foi essa decisão de se produzir também louças sanitárias?
- A indústria de refratários tem muito a ver com a cerâmica.. Quando a Associação Brasileira de Cerâmica foi fundada em 1953, eu participei das reuniões e naquele tempo o Eliseu era também muito ligado ao assunto e então passamos a ter contatos com o IPT, com a Escola Politécnica e outros setores que poderiam trazer subsídios para nós. E foi daí que nasceu a idéia de evoluir e melhorar a nossa produção, dando condições de participar de um mercado mais amplo, e a Sanitex é uma delas.

BN – Há planos para a expansão do grupo Togni?
A Prefeitura de Poços de Caldas cedeu à empresa uma área no Distrito Industrial de 230.00 m2 para que possa transferir os depósitos de matérias primas de seu parque industrial da Ponte Preta, permitindo a expansão da Togni S.A. Materiais Refratários.
Em contra partida, a Togni se propôs a ampliar a Unidade 1 com novos galpões, novos silos, prensas hidráulicas automáticas, ponte rolante e a reativação da Unidade 2, na rodovia Poços/Andradas, com adaptação de fornos verticais para produção de sinter magnesiano, magnésia-cromo e magnésia-espinélio, que substituirão as importações que atualmente são feitas da Holanda, Austrália e China.

BN – Uma pergunta pessoal: Como ficou a situação do heliponto que vc pretendia utilizar em sua casa?
- Tenho o heliponto aprovado pela ANAC, só que meus vizinhos não se conformaram e entraram com uma ação judicial. Com isso, eu não quis levar adiante, mesmo porque eu vou mudar de lá. O helicóptero é uma coisa muito importante para meus deslocamentos para as várias unidades. Há pessoas que têm medo do helicóptero. Outros têm raiva do barulho. Mas eles nunca compararam o barulho do helicóptero com o barulho constante dos carros, caminhões, ônibus e motocicletas. O helickóptero dá 90 decibeis de ruído a 30 ou 40 metros de distância durante 12 segundos. O que acho é que alguns indivíduos têm vontade de também ter um helicóptero, e não têm, não é? Não adianta brigar com esse povo. A gente só perde tempo... No Brasil, se vc pegar por estatística, desde que esses aparelhos começaram a voar, não houve mais de dez mortes por helicóptero, e só um helicóptero no incêndio do edifício Andraus, em São Paulo, salvou 164 pessoas. (Entrevista concedida a Odair Camillo, no dia 02/12/12)

 

 

 

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